Duda Mendonça lança marketing pró divisão do Pará

O marqueteiro Duda Mendonça apresentou nesta quinta-feira (21), em Belém, as primeiras peças publicitárias que embalarão a campanha a favor da divisão do Pará em três novos Estados –Pará (remanescente), Carajás e Tapajós–, proposta que será votada em plebiscito no mês de dezembro.

Baiano, mas dono de propriedades na região de Carajás, Duda criou jingles pró-divisão com características semelhantes ao material feito para o ex-presidente Lula e para a presidenta Dilma Rousseff.

O ritmo escolhido para o jingle foi o sertanejo, o que aproxima a campanha da população de Carajás, com forte presença de migrantes do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. A música também se assemelha à utilizada nas campanhas contratadas pelos presidentes do PT.

Duda afirmou, no entanto, que o apelo aos migrantes na campanha não é proposital, assim como as semelhanças com as propagandas de Lula ou Dilma. “Não tive essa preocupação. Fiz a letra e surgiu o ritmo. A propaganda se parece com outras que fiz. Cada um tem seu estilo. É natural na publicidade também. O pensamento não é tão elaborado assim.”

  • DivulgaçãoBanner da campanha pela divisão do Pará lançado nesta quinta-feira

O material foi aprovado pelas duas frentes parlamentares que defendem a divisão, mas segundo Duda, a campanha publicitária ainda não está totalmente definida e poderá sofrer alterações caso as frentes queiram. Inicialmente, uma das orientações é para que a expressão divisão não seja utilizada.

Na avaliação do marqueteiro, o maior desafio não é a escolha das expressões, e sim o formato da propaganda eleitoral obrigatória que circulará na televisão. Segundo Duda, se forem confirmados dez minutos de propaganda, as peças publicitárias podem ficar cansativas para o eleitor.

As primeiras peças assinadas pelo publicitário são cartazes em verde-amarelo que associam os novos Estados a mais segurança, saúde, trabalho e justiça. O jingle reforça as principais frases do material impresso, como “Diga Sim para os três Estados. Diga Sim para a união”.

O publicitário não cobrará pelo trabalho intelectual –por também ser a favor da divisão– mas disse que a campanha exigirá recursos para contratar agências de apoio e para confeccionar materiais. O deputado federal Giovanni Queiroz (PDT), um dos líderes da frente parlamentar, não estabeleceu metas ou estimativas de gastos. O deputado afirmou que o assunto ficará para depois da definição das regras sobre os fundos de campanha.

Críticas serão tratadas como mito

Durante o lançamento das frentes parlamentares pró Carajás e Tapajós, foram apresentados números sobre a arrecadação, o crescimento econômico e a infra-estrutura dos Estados novos e do remanescente. A campanha utilizará essas informações para tratar os dados utilizados pela oposição como mitos.

O custo da instalação da máquina pública em Carajás é um dos itens colocados em xeque. Enquanto os contrários dizem que será elevado e pago pela União, os defensores encaram os gastos estimados em R$ 3 bilhões como investimentos em educação, saúde, segurança e outros serviços.

Também apostam na compensação desses gastos com o crescimento da região e contestam a informação de que Carajás nascerá deficitário. Pelas contas das frentes pró-separação, o Estado nascerá com uma receita estimada em R$ 2,8 bilhões e despesa em R$ 1,8 bilhão.

Para o deputado Lira Maia (DEM-PA), outro entusiasta da divisão, a campanha deve se basear na razão e não na emoção. Para ele, é preciso mostrar que a divisão não significa perdas. “Não quero ser visto como divisor e sim como desenvolvimentista”, disse.

Plebiscito no país todo

A ação movida pelo jurista Dalmo Dallari para que a Justiça Eleitoral estenda o plebiscito sobre a divisão do Pará para todo o país foi criticada durante o lançamento das frentes pró Carajás e Tapajós.

Giovanni Queiroz disse que a frente não está preocupada com o assunto, mas afirmou que a população brasileira será representada no processo pela União, que terá a tarefa de sancionar as leis que criarão os Estados, caso o plebiscito seja favorável. “Além disso, é um absurdo todo o Brasil votar porque a eleição seria caríssima.”

Lira Maia foi irônico ao especular que, se a proposta de Dallari foi aprovada, seria o caso de se consultar Portugal caso o Brasil decidisse se dividir também. Para o deputado, a extensão do plebiscito seria inconstitucional porque outros Estados são indiretamente interessados e não diretamente.

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