Família Igreja Doméstica, lugar seguro para viver o Amor

Palestra proferida por Pe. Auricélio Paulino da Silva

Querido Dom Esmeraldo Barreto de Farias, bispo de Santarém, caríssimo  Dom Erwin Krautler,   bispo do Xingú , Dom Carpistrano, bispo de Itaituba, Dom Bernardo bispo de  Óbidos  prezado Pe. Luiz Antonio Bento, assessor nacional da Comissão  Vida e Família da CNBB, caro Pe. Antonio Jorge, assistente espiritual da Pastoral Familiar, querida Maria de Fátima  e Airton Barros coordenadores da Pastoral Familiar do Regional Norte 2, queridos coordenadores diocesanos Braz e Nelcia e demais coordenadores prelatícios da Pastoral Familiar, caríssimas  delegações  das prelazias de Óbidos, Itaituba e Xingú e da diocese de Santarém, meus amados e amadas.

O tema central deste 1º. Congresso da Pastoral Familiar do Oeste do Pará é: Família Igreja doméstica, lugar seguro para viver o amor. Vamos repetir juntos… Família Igreja doméstica, lugar seguro para viver o amor.

Quero iniciar, sobremaneira, tentando dar uma definição para cada termo chave deste tema: a “Família”, a “Igreja doméstica”, o “Lugar seguro” e o “Viver o amor”.

1. A Família: A Família é o lugar ontológico, o lugar do ser, mais importante e fundamental da vida da pessoa. Do nascimento ao crescimento, do desenvolvimento à vivência cotidiana, a família é presença marcante em todos os aspectos de vida da pessoa criada à imagem e semelhança de Deus. O livro do Gênese afirma que “Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus ele o criou; e os criou homem e mulher. E Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam fecundos, multipliquem-se, encham e submetam a terra; dominem os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres vivos que rastejam sobre a terra”.(Gen 1, 27-28). Ao aproximar reciprocamente homem e mulher, Deus demonstrou possuir um plano, um projeto de realização do ser humano, através de uma união sólida, objetivos comuns e uma relação de amor: a Família. O próprio Deus escolheu uma família para habitar e se encarnar no meio do povo. “Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles. E sua mãe conservava no coração todas essas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2, 51-52) A Família de Nazaré é o modelo da qual devemos seguir.

2. A Igreja doméstica: A Família é chamada, no Concílio Ecumênico Vaticano II, de “Igreja doméstica”. No documento “Lumen Gentium” (nº11) esta escrito que: “Deste consórcio procede a família, onde nascem os novos cidadãos da sociedade humana, que pela graça do Espírito Santo se tornam filhos de Deus no batismo, para que o Povo de Deus se perpetue no decurso dos tempos”. A encíclica Familiaris Consortio retoma esta expressão, Igreja doméstica, tão querida a João Paulo II, onde afirma que “a família constitui o lugar natural e o instrumento mais eficaz de humanização e de personalização da sociedade: ela colabora de maneira original e profunda na construção do mundo, tornando possível uma vida propriamente humana…” (Familiaris consortio, 43). A Família fundada em Jesus Cristo, a pedra angular, é uma igreja feita à moda da casa, é uma pequena igreja, é uma igreja doméstica.

3. Lugar seguro: Um porto seguro para viver todos nos procuramos. Um lugar longe das tempestades sem abrigo e aconchego, dos infortúnios que os percalços da vida estabelecem todos nós precisamos. A Família é o nosso porto seguro, é o melhor lugar seguro para nascer, crescer e se desenvolver. Interessante, Deus nos ama tanto que nos fez nascer numa família, pois sabia que sozinhos nada seríamos, não seríamos nada mesmo. É possível viver, sozinhos? Claro que não! Para viver precisamos dos outros. E estes outros em nossa vida quem são? São os membros de nossa família. A família é o nosso porto seguro, onde podemos ser nós mesmos e encontrar apoio nas dificuldades de nossa vida. Se, por acaso, não conseguimos traçar um ideal de vida, maior do que nós, a família estar sempre pronta para nos segurar e sustentar. A família faz ser segura a própria vida, pois é onde se encontram auxílios para crescer e se desenvolver como pessoa e como cristão.

4. Viver o amor: Deus criou o homem à sua imagem e semelhança: chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano. O amor é a vocação fundamental e existencial da família. A família é chamada constantemente por Deus a viver o amor. Melhor dizendo, a família é o berço natural do amor. “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16). Uma família que aprendeu viver o amor vive e permanece em Deus.

Depois desta tentativa de definição, vamos procurar percorrer as linhas e as entrelinhas deste tema que nos arrebatará durante este congresso a encarar e assumir uma Pastoral Familiar como vivência de fé e vida conjunta.

5. Família Igreja Doméstica: Importantes e abundantes documentos da Igreja dão especial importância à comunidade familiar, a quem chamam de Igreja Doméstica, sede de formação de corpos, de almas e idéias, verdadeira escola do mais rico humanismo, e por onde nasce e se irradia a estabilidade e o destino do homem e da sociedade. Nesse contexto, a expressão Igreja Doméstica nos remete à idéia de um grupo de pessoas, a partir do casal, consagrado pelo sacramento do Matrimônio, que busca viver em seu lar aquele amor que emana de Deus, e que tanto o alegra. Se considerarmos igreja como casa de Deus e, ao mesmo tempo, como comunidade, compreenderemos que Igreja Doméstica é aquele lugar privilegiado onde as pessoas vivem uma comum-união, no amor e na participação. Enfim, um lugar onde o Cristo tenha sido convidado, se sentido bem e ficado para morar…

Da grande experiência de minha própria família cearense, que veio morar nas terras em torno de Mojui dos Campos, a minha irmã Eronildes da Silva, mais conhecida como Mocinha, a dona Mocinha é que nos oferece o seu próprio testemunho de Família Igreja Doméstica, da qual aprendemos a viver com minha mãe Maria e meu pai Francisco Paulino. E a minha sobrinha Jaqueline Paulino que já é um fruto desta igreja comunhão trinitária familiar.

Meus pais nos ensinaram que a realidade familiar é construída pela acolhida e por um amor profundo que nos levou a uma educação que nos abriu progressivamente a uma descoberta do dom da vida, chamados a atingir gradativamente uma autonomia própria. Papai e mamãe são como jardineiros (oferecem as condições) e nos os filhos somos como as plantas (que crescemos a partir das próprias raízes, tronco, galhos e folhas) e que há nosso tempo deveremos produzir frutos. Nosso processo educativo nos fundamentou na busca dos valores e princípios que nos ajudaram a sermos livres, responsáveis, de modo que seus ensinamentos nos abriram para o dom da fé e este processo pedagógico até hoje esta sendo correspondido com convicções brotadas de uma experiência pessoal com Deus, de um em encontro pessoal com Jesus Cristo. Assim, nossos pais nos ensinaram a sermos discípulos missionários de Cristo caminho, verdade e vida.

Igreja Doméstica, portanto, nada mais é que uma comunidade de pessoas de fé, esperança e amor, reunidas em nome de Deus, que celebra diariamente um culto à vida e ao amor recíproco, louvando a Deus, pelo amor de Cristo que os reuniu. Como “pequena Igreja”, a família cristã, à semelhança da “grande Igreja”, é chamada a ser sinal de unidade para o mundo e a exercer, deste modo, seu papel profético, testemunhando o Reino e a paz de Cristo.

Assim, o lar da família, seja uma choupana, uma casa modesta ou um luxuoso apartamento, torna-se Igreja Doméstica na medida em que seus membros se amam e transformam esse amor sacramento – sinal – para o mundo.  O vocábulo lar deriva, no latim, de lare que quer dizer fogão, lugar de calor, daí lareira.  O lar da família é o lugar onde o calor dos corações que se amam serve de lareira para todos.

6. Lugar seguro para viver o Amor: uma família onde Cristo seja o modelo de entrega é capaz de afirmar, com sua unidade, que infidelidades, separações, divórcio e as desordens daí decorrentes, têm nos verdadeiros lares um terreno árido onde dificilmente se expandirão, porque sua construção é sólida e, se de um lado há a limitação e a fragilidade humana, de outro, compondo o vértice superior do triângulo, está aquele terceiro coração, Cristo, que ensina aos casais, aos filhos e às famílias, o caminho para se tornarem modelo e testemunho, como a Sagrada Família de Nazaré.

Somente fundamentada em Cristo a família será um lugar seguro para viver o Amor. E para viver neste lugar seguro precisa ser alimentado com o testemunho de diálogo, oração, eucaristia, partilha de angústias e expectativas. Um lar seguro, uma família segura, torna maduras as pessoas, e a maturidade é a complementação humana, no terreno psicológico, que vai estabilizar a convivência, tornando a família aberta aos dons da fé, do amor e da esperança, copiosamente derramados sobre os que dedicam suas vidas a serviço do amor.

Para dar um testemunho sobre este lugar seguro para viver o Amor, temos aqui a presença do Sr. Antônio Mendes e a Srta. Eliane Brito Mendes, pai e filha, catequista da comunidade de Corpus Christi, no Km 135 da BR-163, Santarém-Cuiabá, na paróquia de Belterra, diocese de Santarém.

Os filhos, em geral, sentindo o calor da participação e da solidariedade em sua casa, sentem-se bem seguro nela, trazem amigos e colegas para conviver e desfrutar esses momentos de paz, como o caminheiro que se sente reanimado ao encontrar uma fonte.  Esse ambiente seguro, pela graças a Deus, as famílias cristãs sentem e desfrutam em sua casa.

Infelizmente sei que há gente que foge de casa indo para a rua. Imaginem como deve ser o ambiente nesse “lar”? Será que è um lugar seguro para viver o amor? Há os que, tendo um ambiente amoroso em casa, vivendo e sentindo o calor do lar (lareira, lembram a expressão?), fogem das coisas da rua, dos antivalores do mundo, vindo para o aconchego de sua casa.  Como a Igreja, a família é refúgio para todos, especialmente para os cansados e oprimidos (cf. Mt 11, 28).

7. Chegando a conclusão: da importância  da família como igreja doméstica, que é  um lugar seguro para viver o amor, quero sublinhar que a devoção a filial a Maria, mãe de Jesus, é algo igualmente importante. Foi ela que, naquele casamento, em Caná da Galiléia, pressentiu que a falta de vinho ia estragar a festa dos noivos. Sua intuição de mãe sugeriu ao filho que auxiliasse o casal imprevidente. Embora afirmando que sua hora ainda não havia chegado, Jesus transformou água em vinho, restituindo a alegria para aquele casamento. Esse foi o primeiro milagre de Jesus, e os discípulos creram nele (cf. Jo 2, 1-11). Isso serve para vermos a intervenção de Jesus, a pedido de Maria, quando num casamento o vinho da alegria acaba, ou se transforma no ácido vinagre do egoísmo.

Com Maria e Jesus morando em nossa Igreja Doméstica, sempre é possível repetir o milagre, fazendo com que o individualismo, a dificuldade em pedir perdão, a intolerância, que dividem e bloqueiam, dêem lugar ao vinho novo do amor renovado, mais gostoso, abundante, guardado para o fim da festa, para convidados especiais. Para essas providências, é indispensável a presença de Cristo, como o telhado que protege e a rocha que firma os fundamentos de nosso lar.

Sobre a importância de Deus na vida humana, como o mentor do lugar seguro para viver o amor, assim se manifestou o salmista: “Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os operários; se ele não cuidar da cidade, debalde vigiam as sentinelas” (Sl 127,1)

Hoje os jovens são arredios ao Matrimônio por que a sociedade prega o des-compromisso, o egoísmo e o individualismo. Alguns que casam o fazem olhando de soslaio a porta da saída, chamada divórcio. Os casais mais antigos, cujos casamentos duravam mais (“até que a morte nos separe”) porque faziam força para que a união desse certo, e não se dispunham a capitular ao primeiro contratempo.

Nos cursos e encontros que temos participado e ministrado na paróquia de Belterra, tanto para noivos, como casais jovens ou casados há tempo, sempre concluímos nossa exposição sobre Igreja Doméstica, Lugar seguro para viver o Amor, afirmando não se tratar apenas de uma postura beata, piegas, alienada ou romântica. Mas de uma postura de igreja doméstica que estar dentro de uma efetiva e eficaz pastoral de conjunto, inclusive com outras famílias e até vivendo nas CEBs, luta pela defesa da Amazônia, seus povos e sua biodiversidade sendo profetisa na defesa da vida e do meio-ambiente e tem um espírito de evangelização e formação missionárias segundo os passos do mestre Cristo Jesus.

Trazendo Deus conosco, à medida que o tempo avança, quanto mais passam os anos, mais vão sendo eliminadas as arestas, mais compreensão e doação vão acontecendo. Isso, claro, para quem, construindo uma casa sobre a rocha, que é Cristo, soube transformar uma simples casa, em Igreja Doméstica. Que sabe comunicar com amor a verdade da vida, e EVANGELIZAR a partir do encontro com Jesus Cristo, como discípulos missionários, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, proclamando e testemunhando a Boa Nova, lutando pela preservação da natureza e pelos direitos dos povos na Amazônia, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, participando na construção de uma sociedade justa e solidária, “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

A família enquanto célula da sociedade é, por desejo de Deus, chamada a ser uma célula eclesial, uma igreja doméstica, uma igreja de casa, uma casa que se torna uma pequena igreja. É assim que a Igreja será uma grande família: se as famílias forem realmente igrejas; igrejas vivas, atuantes, fermentadas pelo amor traduzido em comunhão, celebrando e cultivando a vida, acolhendo o mistério da Trindade-Comunidade para irradiá-lo no testemunho ao mesmo tempo humilde e corajosamente generoso.

Com Deus em nossa casa, se pode concluir que, se um dia tivemos problemas em nossa vida matrimonial, problemas no relacionamento entre os irmãos e cunhados, etc… Isso foi graças a nós, e se hoje somos felizes e nos sentimos realizados, é graças a Deus. Aí se poderá afirmar como disse, surpreso, o “mestre-sala” naquela festa em Caná: “… vocês guardaram o melhor vinho até o fim…” (cf. Jo 2, 10).

7 Respostas to “Família Igreja Doméstica, lugar seguro para viver o Amor”

  1. Rose Marie Says:

    Bravo!

    A família é o lugar do Amor, companheirismo e da construção de valores qie nos acompanharão para sempre.
    A presença de Deus em nossas vidas, nos dá a certeza de que “Ele é conosco”, agora e sempre!

  2. Amparo Says:

    E na familia que edificamos homens e mulheres que conastrói a sociedade daí a importancia da concepção de igreja domestica ou seja vever na familia valores que estejam coerentes com a familia de nazaré.

  3. Anônimo Says:

    vocês colocam pessoas para vender cds p/ vocês, aqui no mato grosso tem muitos. vendendo cds no nome dessa igreja dizendo que a igreja deu autorização. jovens e senhoras tem até uma senhara que mostra uma foto de um menino deficiente,c/ aquela doença de crescer a cabeça.

  4. sergio Says:

    o livro 18 edição e
    foi lançado

  5. SIVANA 17/06/2012 Says:

    FSIamilia meu porto seguro lugar de aconchego onde coracoes se aquecem com o calor do amor Deus

  6. Angélica Maria Cavalcante Monte Says:

    Gosto de todos os temas abordados por voces.Aqui na minha cidade não encontrei ninguém que possa me vender seus artigos.Peço que me envie o livro de orações e tipos de terços.Agradeço. Angelica

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