Discurso de posse de Pe. Auricélio Paulino

Padre Auricélio tomou posse ontem, dia 07, como pároco de Belterra.

Veja seu discurso de posse.

Caríssimos irmãos e irmãs aqui presentes nesta celebração de posse de paróquia,

Ao longo de toda a minha vida Deus tem sido muito bondoso e misericordioso para comigo. Deu-me a vida e a graça de ter nascido no mais novo municipio do Pará, Mojui dos Campos, do ventre de dona Maria Paulino e Francisco Paulino e no meio de 13 irmãos e irmãs numa tradicional família cearesense. Deu-me a graça de haver pais trabalhadores rurais, agricultores de Santa Júlia, que criaram com muito sacrifício todos os seus 14 filhos dos quais hoje, 9 somos vivos. (Hoje, três doentes e um, o Paulino, no Hospital Regional). Deu-me a felicidade de ter sido feito cristão pelo sacramento do batismo na paróquia de Santo Antonio em Mojui dos Campos (23.05.1965), ter-me nutrido na Primeira Comunhão na Igreja de São Francisco do Caranazal (27.05.1973) e me ungido na Crisma na Igreja de São João Batista no Jardim Santarém (19.11.1979).

Ao longo de minha vida Deus tem sempre me acompanhado desde a catequese da perseverança, o grupo de jovens MOJOSAN (Movimento Jovem Santo Antonio), o grupo vocacional da Paróquia de Aparecida, tempo de Fr. Vitorino Micca e a vida no discernimento vocacional no seminário Tiagão com Pe. Valdir Serra. Conduziu-me na educação e instrução no lar de minha família e na minha primeira escola, o Rotary e depois José de Alencar, Aparecida, Almirante Soares Dutra, Álvaro Adolfo e Colégio Dom Amando. Preparou-me ao compromisso presbiteral no Seminário São Pio X, Seminário São Gaspar e IPAR (Instituto de Pastoral Regional, em Belém) e estágios pastorais no Eixo Forte e Sagrada Família do Aeroporto Velho e São Simão Pedro da Esperança com o acompanhamento de Pe. Edilberto Sena e Pe. Gilberto Pastana, respectivamente.

Deus tem sido muito presente em minha vida desde quando me consagrou diácono no Irurama no dia 14.07.1990 e presbítero na Igreja de São João Batista, no dia 04.01.1992. Fez-me vigário já como diácono, em São Pedro e Sagrada Família (Esperança Aeroporto) em 15.07.1990 e Área 02 de Mojuí em 14.01.1991. Minha primeira experiência de pároco foi em Mojuí dos Campos a partir do dia 04.05.1992, a segunda no dia 14.01.1996 na paróquia de Aparecida e por último como vice-pároco na área de Santa Rita, Guadalupe, São Francisco, Santo André e Saúbal do dia 10.12.2000 em diante.

A presença de Deus é visível quando me coloco ao lado das lutas dos movimentos populares e estudantis, na defesa da Amazônia, na luta pela soberania e protagonismo dos empobrecidos escolhidos de Deus, na escola de uma experiência política que vivi nas eleições de 2000 no município de Santarém, onde o deputado Carlos Martins é testemunha. Deus é vivo quando me coloco ao lado dos que são solidários com os pobres e quando os mesmos, ao mesmo tempo, se apresentam carentes e sedentos de Deus e da sua verdade.

A Trindade Santa tem me acompanhado sempre desde quando fui coordenador de pastoral da diocese de Santarém, de 1996 a 2000, e assessor da pastoral vocacional, pastoral familiar, pastoral do dízimo, diretor espiritual das Equipes de Nossa Senhora, Cursilho de Cristandade Cristã no regional Norte II e demais movimentos laicos. Jesus caminho, verdade e vida, sempre esteve ao meu lado nos empreendimentos de fé, penitência e solidariedade, na missa do Meio-Dia em Aparecida (08.04.1996), para celebrar a vida num novo horário de missas na cidade de Santarém, no GASSPX (Grupo de Apoio ao Seminário São Pio X) idéia nascida para ajudar concretamente os seminaristas no dia 27.08.1999, na Caminhada de Fé com Maria de Mojui à Santarém, nascida no dia 08.12.1995, como um ato de fé, penitência, agradecimento e louvor à Maria, bem como tantas outras realizações da vontade de Deus.

O dom do Espírito Santo, Maria mãe de Deus e o Corpo Eucaristíco de Cristo, sustentaram-me no período de estudos acadêmicos em Roma, de 27.08.2006 a 27.02.2010 onde residi no Colégio Pontifício Pio Brasileiro. Tempo este, que tive oportunidade de estudar Ciências da Comunicação Social na Universidade Pontifícia Salesiana e Pontificia Universidade Gregoriana nos cursos de bacharelado e mestrado respectivamente. E a belíssima experiência de missão e trabalho: Fátima em Portugal; Ehningen, Silderfingen e Feibergt na Alemanha; Lourdes na França; Travedona Monate, Orio al Serio e Gragnano na Itália. Este mesmo tripé espiritual hoje, com a presença de todos vocês, me conduz à Paróquia de Santo Antonio de Pádua em Belterra, sob a proteção do Santo Milagroso.

A nomeação como pároco de Belterra chegou-me em Roma via e-mail de dom Esmeraldo, justamente no dia de Nossa Senhora das Candeias 02.10.2010, como um dom precioso de Deus, É uma nomeação-convocação desafiadora à minha missão e vocação presbiteral que assumo hoje, com muito amor, esperança e fé.

Belterra já esteve presente em minha vida desde criança e adolescente, em tantas vindas junto a meu irmão Areolino e irmã Mocinha a procura de namorados e, sobretudo, na companhia do amigo Pe. Raimundo Vieira, que faço aqui um tributo memorável à sua passagem histórica em nosso meio na presença de sua mãe Francisca Vieira. Belterra já esteve presente em minha caminhada vocacional, como jovem em missão no colégio Santo Antonio com as irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo, junto com outros jovens da Pastoral da Juventude da Diocese.              

Hoje, Belterra é presente em minha vida como um novo Chão Amazônico à ação de evangelização de conformidade ao plano de pastoral da diocese de Santarém, que a pouco recebi das mãos do bispo e pretendo assumir esta missão a partir da implantação efetiva da pastoral de conjunto, defesa da Amazônia, seus povos e sua biodiversidade e a Evangelização e formação missionárias, fortalecendo a Região IV e em comunhão e participação com a diocese.

Assumo a paróquia de Santo Antonio sob a graça de Deus como se estivesse sendo ordenado padre de novo. Com a mesma alegria e entusiasmo de minha primeira paróquia, como o fiz a 18 anos em Mojuí dos Campos. Assumo com o mesmo espírito, ardor e tição como na Paróquia de Aparecida há 14 anos passados. Com a mesma graça e desafios como o fiz em Guadalupe, Santa Rita, há 9 anos ido. Com a mesma vontade de viver e saúde que me animou, depois de ter vencido a doença da dengue hemorrágica e o estado de coma que vivi em 2002 entre Santarém e Belém, acompanhado pela oração de tantos vocês. Pe. Ademar Ribeiro, a mana Mocinha e o Dr. Carlos Matins são testemunhas. Assumo Belterra não sozinho, mas junto com vocês, meus novos irmãos e irmãs belterrenses, com o mesmo vigor e coragem que me levou a Roma a viver e estudar por três anos e meio longe dos meus.

Hoje, 07.03.2010, venho à paróquia de Belterra como discípulo missionário de Cristo, não para fazer o novo mas, sim para dar continuidade ao trabalho missionário de nossos frades franciscanos: Fr. Tadeu Prost, Fr. Junipero Freitaz, Fr. Thiago Ryan e Fr. Severino Nelles, Fr. Martinho Colosia, Fr.Miguel Lange, Fr.Gilberto Wood, Fr. Marcos Paterek, Fr.Hilário Lange, Fr. Fabiano Merz, Fr. Joãozinho Mc Manamon, Fr. Roberto Schimieng, Fr. Chico Silva, Fr. Juvenal Carlson, Fr. Antônio Glauber, Fr. Osmundo Menges, Fr. Miguel Kellett, Fr. Raimundo Crone, Fr. Alexandre Dowey, Fr. Ricardo Duffy, Fr. Alex Assunção e os padres diocesanos: Pe. Carlos Antônio, Pe.  Raimundo Matias, Pe. Jorge Torres, Pe. Walter Imbiriba e Pe. Antônio Cláudio e de tantos leigos que já estão na eternidade, ou que vivem hoje nesta bela terra.

Longe de eu querer fazer qualquer trabalho ou ação evangelizadora sozinho. O desejo primaz é conhecer, sobretudo, senhor prefeito Geraldo Pastana, a realidade social, política, cultural, histórica e geográfica da paróquia. Venho para somar aos seus lados, da cidade de Belterra, da área do Tapajós e da área da Santarém-Cuiabá que compõe exatamente 45 comunidades. Venho como pároco, irmão, amigo e companheiro. Meu desejo maior é não impor, mas propor; é não comandar ou ordenar, mas coordenar; é não somente informar, mas formar e capacitar lideranças e famílias; é não estar longe da realidade, mas pisar no chão e colocar a mão na massa andar descalços se preciso for. Não pretendo fazer mudanças radicais e velozes, mas deixar que o Espírito Santo possa soprar onde Ele quiser. Procurarei ter o cuidado especial de valorizar a cultura, a religiosidade, os costumes e a vida do povo.

Meu desejo é sempre trabalhar na evangelização do povo e suas lideranças religiosas locais, valorizando o que de bom aqui já foi plantado, buscando com veemência a conversão. Procurando conduzir o rebanho com coordenação pastoral, conselho pastoral, conselho econômico e valorizando, acima de tudo, as Equipes Catequéticas e as Cebs (Comunidades Eclesiais de Base) como rede de comunidades vivas, que são as colunas de sustentação da vida eclesial, sacramental e litúrgica. Juntos procuraremos descobrir novos caminhos de evangelização nos ambientes de trabalho, nas famílias, no meio da juventude desvalorizada, no meio das crianças e idosos. Quem sabe juntos poderemos redescobrir o MCC – Movimento de Cursilho de Cristandade, o Apostolado da Oração, as Equipes de Nossa Senhora, a RCC – Renovoção Carismática Católica e outros movimentos leigos. Quem sabe, reforçar a Pastoral Social tão importante na igreja, a pastoral Familiar, da Juventude, criar e animar a Infância Missionária e tantas outras pastorais e serviços litúrgicos na igreja. Quem sabe também, se podem criar comitês de combate a corrupção, de defesa à ecologia e de luta pelo desenvolvimento sustentável, que priorize o ser humano.

Nosso desejo é incentivar a criação da pastoral da comunicação, como habitat e ninho de todas as pastorais, serviços e movimentos da igreja. Uma comunicação que valorize as pessoas não como algo abstrato, mas como pessoa humana e divina. Tentarei antes de tudo comunicar a verdade do evangelho de acordo com a compreensão do povo lavrador ou mesmo dos acadêmicos universitários tendo como modelo Cristo o verdadeiro comunicador.

Como pároco, procurarei ser pastor, sacerdote e profeta, começando a evangelização não pelo centro, mas pela periferia. Periferia da vida, da geografia e da igreja. Vamos iniciar visitando os doentes, evangelizando as comunidades e assentamentos agrários mais distantes. Vamos procurar resgatar aqueles que perderam o sentido da vida e da confissão à fé católica ou aqueles que estão em dúvidas de sua opção religiosa. Vamos procurar ser o bom samaritano e o Cristo Misericordioso que acolhe os pecadores valorizando o sacramento da confissão e à pastoral do acolhimento e da escuta. Queremos escancarar as portas do nosso coração e da igreja e concretamente dos templos, das capelas para acolher aqueles que procuram o altar de Deus para fazer seu sacrifício de oblação e juntos vamos celebrar a eucaristia em uma liturgia viva e encarnada na vida. Vamos procurar denunciar a falta de ética, atos de corrupção, a depredação do meio ambiente, a falta de moralidade, combater o hedonismo, relativismo, secularismo, laicismo e anunciar a boa nova de libertação de Cristo levando a esperança e os sinais da ressurreição.

Vamos convocar todos a fazer um grande exército de Cristo e traçar a missão, aos moldes da missão continental da igreja e levar o evangelho aos pontos mais longínquos da paróquia. Vamos, junto com Cristo, adubar, aguar, podar a figueira e esperar conforme a providência divina os seus frutos. Quero contar, também, com a presença dos amigos e belterrenses, em pátrias distantes, sabendo que sua ajuda é necessária, porém, acima de tudo procurar construir uma igreja autônoma, fortalecendo o espírito de partilha e a pastoral do dízimo.                                                                                                                                                                     

Tenho consciência dos meus limites pessoais e vos peço compreenção. Tenho consciência dos desafios que me esperam e vos peço ajuda. Mas com Cristo e Santo Antonio tudo o que queremos fazer podemos dizer como afirmou o escritor italiano Vittorio Alferri:“voglio, sempre voglio, fortissimamente voglio” (quero, sempre quero, fortissimamente quero).

Quero construir um novo jeito de ser igreja, sempre quero a força da oração quebrando barreiras e fortissimamente quero que o Reino de Deus habite no meio de nós. 

Pe. Auricélio Paulino.

Belterra – PA, 07 de março de 2010.

           

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4 Respostas to “Discurso de posse de Pe. Auricélio Paulino”

  1. Nazaré PIcanço Says:

    Padre Auricélio Paulino. Seja bem vindo à cidade de Belterra. Acredito na força que emana no coração de um Jovem corajoso que foi chamado pelo Espírito Santo para assumir esse compromisso com a comunidade
    de Belterra.
    Abraço da sua amiga paraense
    Nazaré Picanço

  2. PEDRO PAULO MAIA OLIVEIRA Says:

    Pe. Auricelio,

    Gostei do seu discurso de posse, que Deus te acompanhe na sua missão nesta igreja onde fui batizado e recebi minhas primeiras catequeses da primeira comunhão. Que Jesus te acompanhe e te faça um intrumento de comunhão entre Deus e o Rebanho, que você seja uma ponte de união entre os homens. Participe do meu blog, dê uma visita quando puder. Abraços!!!

    Pedro Paulo

  3. Solange Malosto Says:

    ” As prodigiosas realizações é que são verdadeiras concretizações de sonhos”( Solange Malosto)
    Felicidades!!!Vc será dempre alguém muito especial.Jamais esqueceremos de vc.Beijão

  4. haarausfall Says:

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