Padre João Calleri, o poder do exemplo

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Túmulo de Pe. Calleri em Boa Vista

O sacerdote italiano Giovanni Calleri, ou como era conhecido entre os amazônidas: Pe. João Calleri, missionário da Consolata, é uma intrépida testemunha do amor de Deus no meio dos mais pobres e excluídos: os índios.

O religioso nascido em Carrú – Itália, no dia 15 de abril de 1934, foi morto no dia 1º de novembro de 1968, junto com outros oito companheiros, duas mulheres e seis homens, durante uma missão de paz na terra dos indíos Waimiri-Atroari, na defesa de suas terras por ocasião da abertura da rodovia Transamazônica. Seus restos mortais foram encontrados somente no dia 30 de novembro.

Durante muito tempo, os próprios nativos foram considerados como responsáveis pela tragédia homicida. Depois de 30 anos, o trabalho incansável de um irmão de congregação, Padre Silvio Sabatini, demonstrou a verdade: o massacre tinha sido realizado não pelos nativos e sim pelos “brancos” enviados dos poderosos locais e estrangeiros, exploradores das riquesas minerais do solo amazônico. Marco Bello reconstruiu a história em um artigo na revista Missões Consolata de Setembro de 2008. (leia aqui matéria completa)

Pe. João Calleri chegou em Roraima, região do rio Catrimani, no ano de 1965 e foi morto com 34 anos em 1968. O pouco tempo  de vida e evangelização na Amazônia junto aos índigenas, deixou um magnífico exemplo e marcas indeléveis.

O seu trabalho com os índios se  inspirava em alguns princípios básicos: a catequese não se devia iniciar imediamente, precisava conhecer a realidade; não admitia no meio da população indígena a introdução de expressões da cultura ocidental, ele se irritava muito com quem queria vestir os nativos; aspirava a presença dos índios como colaboradores  e corresponsáveis no projeto de pacificação na região, e em particular acreditava ser absurdo o método de conquistar a simpatia dos índios com presentes, por isso criou uma moeda própria a “Mamo”, que na língua local significa a pupila dos olhos.

Os índios, objeto de barbaria dos explorados do passado e muitas vezes da parte de muitos governos do presente e de suas próprias instituições, são ainda hoje perseguidos, apesar de alguns direitos respeitados: a terra sobre tudo, foi reconhecida em parte. Os missionários são ainda seus leais defensores no nome da proclamação do evangelho de Cristo.

São muitas as manifestações, seja na Itália como no Brasil, de reconhecimento de um missionário e mártir que soube dar a vida pela causa dos pequenos. O missionário de Catrimani pode até ser considerado santo e protetor da congregação Consolata.

No dia 28 de fevereiro de 2009, por exemplo, aconteceu uma mostra fotográfica na Biblioteca Pública de Carrù. Uma belíssima exposição itinerante sobre o missionário mártire das causas índíginas com o objetivo de traçar a parábola missionária de Padre João como um homem, sacerdote e missionário, decidido a pôr a sua fé e o amor a Cristo para servir os últimos da terra, e recordar os 40 anos da morte do missionário carruense.

A exposição “Padre Giovanni Calleri, o poder do exemplo” foi organizada pelo grupo “Amigos do Padre Calleri”, em colaboração com o Centro Missionário Diocesano de Montovi e o Instituto das Missões Consolata.

Estes dias eu tive a alegria de conhecer um sobrinho de Padre João Calleri,  o senhor Luigi Allena, que é o secretário geral da Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi com ele que eu aprendi a conhecer a história de vida deste grande missionário na Amazônia brasileira.

Os restos mortais de Pe. Calleri, pela vontade do bispo da diocese de Roraima,  foram seputados no altar-mor da antiga catedral da capital Boa Vista. A figura e a memória dele estar sempre viva no meio do povo, e a catedral é local de peregrinação  de muitos católicos indígenas que vêem em Pe. Giovanni o poder do exemplo.

Pe. Auricélio Paulino.

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