Arte Tapajônica é valorizada e reconhecida

Mostra immagine a dimensione interaA Assembléia Legislativa do Pará aprovou ontem, 23, o projeto de lei que declara como patrimônio artístico e cultural do Estado do Pará a Cerâmica Tapajônica. O projeto é de autoria do deputado estadual Carlos Martins – PT, e segue para sanção governamental.

O projeto pretende reconhecer, valorizar e preservar um dos mais antigos vestígios dos povos pré-históricos da Amazônia. “Considero a arte tapajônica um ícone da cultura da paraense. Esta arte, uma das mais antigas da pré-história brasileira, com quase seis mil anos, apresenta fidelidade aos traços de nossa cultura. Além disso, não pode ser abandonada, tem que ser preservada e prestigiada”, enfatiza Martins, que acredita ser a legislação constitucional paraense uma maneira de garantir o reconhecimento da Arte Tapajônica.

Conheça melhor a Arte Tapajônica

SIMBOLOGIA E ARTE NA CULTURA TAPAJÔNICA 

Apesar de ter havido quase que um saque arqueológico na Amazônia, esta continua sendo uma região onde muitos mistérios ainda persistem resistindo ao tempo. A rica arte ceramista dos povos desaparecidos da ilha de Marajó e de Santarém, próximo à foz do rio tapajós é testemunho vivo de que algo de muito importante aconteceu naquele estranho mundo selvático, que não foi ainda totalmente compreendido pelos pesquisadores. 
Por J. A. FONSECA*
De Barra do Garças/MT
Para Via Fanzine 

A ARTE TAPAJÔNICA 

Segundo os arqueólogos, a cultura Tapajós teve muitos momentos específicos em sua trajetória. Em suas pesquisas, apoiadas pelo sistema de datação C-14, estes lhe dão cerca de 500 anos de existência, localizados entre os anos de 1000 a 1500 a.C. Esses povos eram muito numerosos e habitaram diversas regiões na foz do rio Tapajós, próximo a Santarém e assim como os de Marajó, eram também exímios ceramistas.

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Vaso de cariátides da cultura Tapajós em cerâmica (argila e cauixi-esponja de rio), que lhe dão beleza e grande resistência.

 

Estrutura e motivos diferenciados – Para os estudiosos, as misturas de efeito antiplástico na cerâmica produzida por esses povos eram incomparavelmente mais avançadas do que as que eram utilizadas por outras culturas amazônicas. Na cerâmica de Santarém, o antiplástico utilizado era o cauixi, uma esponja encontrada em rios de água doce, devido à sua maleabilidade e maciez. Com esta técnica produziam uma cerâmica de elevado grau de dureza, ao mesmo tempo que, era também extremamente leve e fácil de manusear. 

Além disto, eram elegantemente desenvolvidas e decoradas com motivos variados. O animal que é mais representado em suas manifestações artísticas é a cobra, que pode ser encontrada em estilos variados, aparecendo também de forma espiralada ou estilizada, mas sempre manipulada sob figurações plásticas muito bem elaboradas. 

Dizem os pesquisadores, que a cerâmica de Santarém é a que mais foi produzida no Brasil e pode ser encontrada em diversificadas localidades, às margens do rio Tapajós, onde podem ser desenterradas. Segundo estes, os índios Tapajós habitaram entre os rios Xingu e Tapajós, com sua cultura peculiar e altamente produtiva. Dentre sua vasta produção encontramos taças sofisticadas, esculturas variadas, vasos zoomorfos e ornitomorfos, figuras de animais, pratos, tigelas, etc. 

As figuras geométricas são perenemente representadas em sua arte e suas formas são muito variadas e excepcionalmente harmônicas, incluindo aí as gregas e as espirais, figuras de estilos variados e reprodução de retas e ângulos perfeitamente delineados. 

Os povos tapajônicos, apesar de serem tidos como bravos guerreiros, ficaram famosos pela sua arte em cerâmica decorada, assim como os marajoaras. Estas artes atraíram a atenção de pesquisadores e curiosos do mundo todo, pois, além de serem muito leves e muito resistentes eram também muito belas e variadas. 

Imensa e diversificada produção – Estas ricas obras de arte são, por assim dizer, os únicos vestígios da existência deste povo valoroso no interior da floresta amazônica. A sofisticação de suas peças, formas e de suas expressivas decorações, fazem os pesquisadores acreditarem que, diante de tão elevada qualidade de elaboração, elas teriam sido produzidas por gente especializada e treinada para este fim. De fato, diante das ilustrações presentes neste artigo, reproduzidas especialmente por este autor, podemos ter uma idéia de sua singeleza, beleza e sofisticação estética. 

Podemos afirmar com segurança que os ceramistas da região do Tapajós chegaram a produzir uma rica e abundante arte em peças variadas, sendo também, exímios escultores que procuravam perenizar em suas obras a beleza e a forma, através de figuras estilizadas e de grande conteúdo estético. Segundo os pesquisadores esse povo não construía urnas funerárias, porque ao invés de enterrar seus mortos preferiam homenageá-los, moendo seus ossos e aplicando-os em bebidas que eram experimentadas por todos da tribo.  

A RICA SIMBOLOGIA DESTES POVOS NA AMAZÔNIA 

Face à excepcionalidade da arte destes povos amazônicos, este autor procurou incluir no presente trabalho algumas reproduções que ele mesmo procurou fazer da variada cerâmica e rica simbologia de que estes eram conhecedores, para assim melhor captar os detalhes desta produção incomparável e sentir o grau de dificuldade na elaboração de seus traçados, quer tenham sido feitos por intermédio de pinturas, incisões ou excisões nas peças por eles produzidas.

Como vimos, dois destes grupos teriam se destacado além dos demais, face à qualidade de suas culturas: a Marajoara, na Ilha de Marajó e a Tapajônica, da região de Santarém, às margens do rio Tapajós. Quase todos os vestígios de sua existência já desapareceram, à exceção de sua cerâmica, que tem revelado se tratar de uma arte originada de uma cultura de elevado grau de sofisticação e conhecimento estético.

Além da exuberância das peças Marajoaras e Tapajônicas, o fato que nos levou a interessar-se ainda mais por essas culturas foi a riqueza de traços geométricos, muitos deles com visíveis representações de contornos universalmente conhecidos e uma expressividade em seus caracteres, próximos do conceito do ideograma.

A arqueóloga Denise Pahl Schann da PUC-RS, examinando peças marajoaras da coleção da Universidade Federal de Santa Catarina, encontrou figuras que se repetiam alternadamente, vindo reforçar as idéias da pesquisadora norte-americana Anna Roosevelt que acredita ter havido na Amazônia uma cultura bem mais avançada do que as que foram admitidas até agora. Disse a arqueóloga brasileira que puderem ser comprovados que os 52 signos identificados por ela representam idéias, ter-se-á evidenciado que, cientificamente, o povo marajoara se utilizava de uma escrita primitiva em suas expressões artísticas. Mostra immagine a dimensione intera

 
Símbolos retirados da arte Tapajônica
 

Vestígios de avançadas civilizações – Não somente as cerâmicas marajoaras e tapajônicas indicam vestígios de uma sociedade complexa na Amazônia. Também os objetos de culto conhecidos como muiraquitãs, encontrados em diversas regiões causam certo desconforto. Estas peças, fabricadas em nefrita e por causa de seu grau de dificuldade ao serem produzidas, passaram a fazer parte das lendas amazônicas, especialmente por causa das famosas icamiabas (amazonas ou mulheres guerreiras). 

Segundo a lenda, o amuleto (masculino e feminino) era feito sob condições especiais e sempre sob a inspiração da Lua (Iaci). Na época da lua cheia as mulheres desta tribo mergulhavam no lago sagrado Iaci-Maruá (espelho da lua) e retiravam do fundo deste uma espécie de argila esverdeada, com a qual moldavam ao seu gosto objetos para presentear seus guerreiros, que vinham acasalar com elas. Após endurecerem, estes objetos ganhavam uma consistência muito dura e difícil de ser trabalhada, dando-lhes aspectos místicos e misteriosos. 

Como já havíamos afirmado, as ricas artes, marajoara e tapajônica estão recheada de símbolos variados e uma decoração estilizada que nos lembram caracteres, ou ideogramas (sinais que exprimem idéias) ou até mesmo uma espécie de grafia hierática, semelhante às das grandes civilizações européias.

Sob nossa perspectiva, ousamos afirmar que, diante da variegada simbologia utilizada por esses povos, tais representações geométricas e caracteres sofisticados se tratem, efetivamente, de uma forma de escrita que se perdeu com o passar do tempo ou foi por eles mesmos suprimida pouco antes de seu desaparecimento. 

Gostaria de registrar, finalmente, que na região Amazônica desenvolveram-se apenas três tipos de culturas que mais se destacaram pela distinção destas em relação às demais tribos existentes no Brasil: a da Ilha de Marajó, com suas cerâmicas decorativas, a da região de Santarém, na foz do rio Tapajós, com sua rica coleção de peças ornamentais e utilitárias e um outro grupo, menos conhecido, que também desenvolveu uma rica arte em cerâmica e se estabeleceu no Amapá, às margens do rio Cunani. A cerâmica deste povo misterioso do Amapá era produzida com o predomínio da cor vermelha aplicada sobre um fundo branco, em peças de estilo também variado, porém menos aprimorados do que os Marajoaras e Tapajônicos. 

Foi Emílio Goeldi, naturalista suíço que, encarregado pelo governo do Pará para organizar um museu de ciências naquele Estado, descobriu um túmulo desta tribo localizado próximo ao igarapé Holanda, numa fazenda da região. Lá ele encontrou diversas peças que, apesar de semelhantes à forma, se comparadas às outras culturas citadas, apresentavam características diferentes das mesmas. Foram também encontradas urnas funerárias em cavernas naturais nas proximidades do rio Cunani em datas posteriores, indicando certas semelhanças com as que foram localizadas na Ilha de Marajó. 

* J.A.Fonseca é economista, aposentado, escritor, conferencista, estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico, já tendo visitado diversas regiões do Brasil. É presidente da associação Fraternidade Teúrgica do Sol em Barra do Garças–MT, articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA.

– Todas as imagens: Ilustrações de J.A. Fonseca.

– Bibliografia:

–  Cerâmica Arqueológica da Amazônia – Denise Maria Cavalcante Gomes, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2002.
Arte da Cerâmica no Brasil – P. M. Bardi, Banco Sudameris Brasil S.A., 1980
– Revistas Planeta
– Revistas Superinteressante
– Revista Enciclopédia Bloch
 
– Produção: Pepe Chaves.
  © Copyright 2004-2007,
   Pepe Arte Viva Ltda.
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35 Respostas to “Arte Tapajônica é valorizada e reconhecida”

  1. Anônimo Says:

    eu tenho 12 anos e tenho q pesquisar sobre a arte tapajonica e eu acho q vcs deviao explicar melhor

  2. Anônimo Says:

    isso e orivel

  3. Anônimo Says:

    que saco -.-

  4. Anônimo Says:

    Eu acho que segundo os arqueólogos, a cultura Tapajós teve muitos momentos específicos em sua trajetória. Em suas pesquisas, apoiadas pelo sistema de datação C-14, estes lhe dão cerca de 500 anos de existência, localizados entre os anos de 1000 a 1500 a.C. Esses povos eram muito numerosos e habitaram diversas regiões na foz do rio Tapajós, próximo a Santarém e assim como os de Marajó, eram também exímios ceramistas.

    Muarrarrarrarra! hahaha

  5. Anônimo Says:

    Adorei a arte tapajonica.
    É muito importante,adorei a explicaçao de voces…nao acho que deveriam explicar melhor,agora eu quero saber como se faz a arte tapojonica!
    Beijinhos com sabor de chocolate

  6. thais Says:

    adoro a arte tapajonica pois ela demonstra tanta coisa………………………………bjs……………………………………….tchau!!!!!!!

  7. LULUZINHA Says:

    PORRA VCS SAO UMA DROGRA VE SE EXPLICA MELHOR

  8. pablo Says:

    a arte tapajonica e linda e legal

  9. Anônimo Says:

    hum…

  10. Deo Almeida Says:

    Eu acho que está bem explicado, nós temos ótimos sites que falam a respeito e este tem uma linguagem bem clara sobre o assunto, que com um pouco mais de atenção até a Luluzinha entenderá. E corrigindo a datação é 1.000 a 1.500 A.D

  11. Anônimo Says:

    O artigo está muito bom. Com vários detalhes sobre a cultura tapajônica. Obrigada. xD

  12. ... Says:

    O artigo está muito bom. Com vários detalhes sobre a cultura tapajônica. Obrigada. >.<

  13. monick Says:

    isso nao tem nada a ver com o que eu procurei!!

  14. elder Says:

    oi

  15. Andrezinho Says:

    falar sobre cultura é de mais, mas a Tapajônica é melhor, o artigo tá bem elaborado… parabéns.

  16. pp[=pkpl= Says:

    eu to dentantofares meu deve

  17. amanda Says:

    adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiii

  18. lucas Says:

    o artigo foi totalmente acima das minhas espectativas pois deixa bem explicito o conteudo.
    onde fala um pouco da cultura dos povos tapajonicos….

  19. Anônimo Says:

    poxxa nao da pra vcs colocarem uma coisa melhor nao piiiiiiii

  20. isa Says:

    não está muito bem explicado…mas organizando tudo,podemos entender…até que está bom isso…

  21. emmily Says:

    eu tenho 11 anos estou na 5 série professor de arte pidiu para turma pesquisar sobre artes marajoaras e artes tapajonicas a arte marajoara vamostra o uso de cores que eles usam vai mostra os quem são os pesquisadores, o ano que eles pesquisaram e a arte tapajonica eu gostei é bem explicado e essa historia é interessante e se vcs estão reclamando dessas pesquisas é porque ñ solberam lêr e entender luiza é seu nome respeite essa arte se vc ñ gostou a culpa ñ foi deles foi sua de não entender

  22. emmily Says:

    e meu nome é emmily esther batista pereira esse comentario é meu…………….e se vcs concordarem comigo acho legal essa pesquisa parabens….bjssssssssss……….. prq essa arte é muito importante

  23. Winny Tapajós Says:

    Gostei muito desse desenvolvimento, é bom saber um pouco mais dos meus antepassados. Minha mãe é índia e morou muito tempo na aldeia, eu, apesar de ter nascido na cidade, nunca deixo de passar as férias com meus parentes. Adoro ler tudo que fale sobre nossa cultura, até porque já está se perdendo aos poucos. Se dependesse de mim nem teria começado a se extinguir. Parabéns pela matéria.

  24. Milena Says:

    Oi tenho quinze anos, estudo no Colégio Álvaro Adolfo. Oartigo está ótimo e tenho esse trabalho sobre cerâmica tapajônica (como muitos) para desenvolver, o problema de certas pessoas é que elas querem tudo de “mão beijada” por já estarem acostumadas com o fato de a internet aproximar o mundo e ser uma fonte riquíssima de informação (globalização), poxa, vão na Biblioteca da Casa da Cultura que lá tem! E ainda tem a praça São sebastião, cheira de traços tapajônicos, e por cima o museu! Não custa nada. Aqui vão alguns livros sobre cerâmica tapajônica que tem na Casa da Cultura:
    -Santarém Monumentos Históricos
    -Tupaiulândia
    -Município de Satarém.
    Espero ter ajudado.

  25. joao neto Says:

    FALTA SÓ SER MAIS EXPLICATIVO

  26. cristina Says:

    Gostei muito ,mas como faco para saberwmais sobre o tapajonicos

  27. carolina Says:

    quero a religião dessa bosta, cadê ?

  28. Anônimo Says:

    kkkk mtshow

  29. Anônimo Says:

    bando de idiota esse saite e uma merdaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!

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